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Reações (In)Esperadas

Publicado: 31 maio 2011 em Indústria Cultural

Como assistir Titanic e não chorar? Qual adolescente não gosta do filme Crepúsculo? Seria possível ver o Diário de uma Paixão e não se apaixonar? Quem não tem medo com o filme O Grito?

A resposta disso tudo é não. É impossível não chorar, não gostar, não se apaixonar, não ter medo… não sentir! É raro você ter assistido um filme clássico, sair de alguma sala de cinema e, não ter a mesma sensação que todos têm. É difícil você não ir embora com o sentimento que os produtores do filme querem que você tenha.

A hora do beijo, a da despedida, a da morte e isso tudo atrelado a melhor trilha sonora, como plano de fundo. Nossa, assim não dá, é muita surpresa para um momento só. Mas mal sabem eles – os telespectadores-, que o intuito é todo esse, não pensar, apenas serem programados para as devidas emoções.

Música, detalhes da primeira cena até a última, roteiro, tudo isso é pensado e repensado, de uma forma em que o foco é você, ir ao seu extremo, “entrar na cena” ou ela apropiar-se de sua vida, de alguma forma.

Não mais vivemos nossa vida, nossas emoções, mas vida e emoção de uma personagem fictícia – que para nós existe e parece com a nossa história de vida. Missão dada, missão cumprida. A Indústria Cultural consegue seu objetivo de fato: lucrar bastante à custa da nossa alienação.

Continuando um pouco o tema de cultura de massa e indústria cultural, vamos falar um pouco dos exemplos que existem na sociedade atual.
Hoje cada vez menos se tem exemplos de cultura de massa na sociedade, a cultura feita pelo povo vem sumindo e cada vez mais o que se vê é a cultura imposta pela indústria. Podemos começar pelas músicas que as pessoas ouvem hoje em dia, que cada vez menos tem conteúdo artístico e cada vez mais está banalizada pela pornografia e letras fúteis. No cinema, o problema é muito parecido, principalmente quando se mostra a mulher apenas como objeto de desejo e sexualidade, coisa tão comum quanto os antigos filmes de Chaplin, ou as letras das músicas dos Beatles, que falavam de liberdade e de amor, coisa que anda meio esquecida na sociedade atual. A violência mostrada em filmes, televisão e ouvida nas letras das músicas também é um grande problema da indústria cultural atual. As novelas atuais servem para mostrar o galã rico e branco e bonito, para que esse seja o espelho da sociedade.
O que foi imposto para a sociedade como cultura ao longo dos ultimos anos, foi o que a vendia mais cd’s e que daria mais público nos cinemas. Alguns artistas populares que vieram de uma outra época, ainda tentam colocar conteúdo em suas obras, mas é sempre muito dificil mudar toda uma indústria cultural, e alguns deles mudam sua arte para não desapareceram na mídia e não acabarem esquecidos pela sociedade.

Olá amigos leitores, vamos falar mais um pouco sobre cultura de massa e indústria cultural?
O termo indústria cultural foi criado por Adorno e Horkheimer em 1977 como já dito antes. O termo usado por esses autores inicialmente era cultura de massa e foi abandonado pela forma com que eles queriam expressar a cultura que era imposta ao povo, e não a cultura do povo, que era a cultura de massa, também chamada hoje de cultura popular.
A maior diferença entre cultura de massa e indústria cultural é que a cultura de massa era a cultura feito pelo povo, que vinha do povo e virava caracteristica daquela sociedade como manifestação cultural. Já a indústria cultural é o que o povo é “imposto” à ter como cultura, ou seja, o mais relevante não é o que o povo pensa e sim o que a indústria acha que vai ter mais vantagens para ela própria.
Na cultura de massa, a arte prevalece, o povo faz sua própria arte, sua própria cultura, enquanto na indústria cultural a arte é sempre transformada em um produto industrializado, importando apenas se o produto de arte vai ser vendavel e consumido em grande escala. Enquanto a espontaneidade e a originalidade da arte estão presentes na cultura de massa, o mesmo não se aplica à indústria cultural que visa sempre o que mais vai vender para a sociedade, sempre focado no consumo, e não na arte.

Chaplin era muito além de sua época, um verdadeiro gênio. Comediante da era do cinema mudo, ele soube trazer entretenimento nos momentos mais difíceis, quando o mundo passava por duas grandes guerras. A comédia do tipo pastelão atraiu o público, que logo ficou fã da novidade. Mas por traz do humor, Chaplin fazia críticas ao sistema, de forma sutil e, no entanto, óbvia.

Na comédia “Tempos Modernos”, Chaplin retrata a realidade de uma sociedade tomada pela industrialização, onde o personagem principal vive em uma situação de quase escravidão. As máquinas tomando o lugar dos homens é bem explicitado, assim como o indivíduo que cede as suas necessidades extremas, como no caso da jovem que realiza furtos para comer.

O auge do filme se dá na cena em que o trabalhador está na fábrica e repete se afazer tantas vezes, que começa a não raciocinar essa atitude. É um exemplo claro de quando o sistema assume o controle, inserido-se completamente na vida do indivíduo.

Através do humor, Carlitos consegue passar sua mensagem de que a industrialização tomou conta do cenário de trabalho, mas o ser humano ainda é a força motriz que coloca tudo em atividade.


Cena do filme “Tempos Modernos” – 1936

Um indivíduo alienado?

Publicado: 17 maio 2011 em Indústria Cultural

A cultura da Indústria Cultural é feita em escala social para a massa – o que gera uma maior alienação, além de ser conhecida como de mercadoria, mecanizada e técnica, onde os produtos não se tornam mercadorias, eles nascem mercadorias, de tal modo em que são impostos para as pessoas como padrões que fazem a sociedade consumir de alguma forma, não importando mais a qualidade.
Com o sistema capitalista, tudo se transformou em compras e vendas, em injeções fortes de consumismo sem direito a doses homeopáticas, e toda essa forma perigosa de ingerir as coisas, faz surgir à alienação – resultado da reação dessa corrente e que não é existente nem visível, aos olhos dos seres humanos, apesar de existir na vida deles. Tendo em vista que tudo vira mercadoria e o homem torna-se um objeto – um instrumento de consumo-, as pessoas, sem perceber, respiram produtos, de modo a contribuir para a absorção dos produtos “jogados” pelos veículos para nós.
Os diversos veículos (rádio, televisão, jornal, revista, cinema) consideram os telespectadores e/ou leitores como seres humanos idênticos, que tem as mesmas emoções e as mesmas reações ao lidar com os mesmos programas. Os produtores, autores e escritores já sabem qual música colocar para uma determinada cena, qual vai fazer o telespectador ter o sentimento esperado e necessário para suprir muitas vezes o que ele precisa.

Um pouco de história

Publicado: 17 maio 2011 em Indústria Cultural

Olá leitores, hoje vamos falar um pouco sobre a história da Escola de Frankfurt e alguns dos seus principais teóricos.
Em 1924, foi criada por Felix Weil, a Escola de Frankfurt cujo primeiro nome era Instituto para a Pesquisa Social. Esse nome seria mudado mais tarde por um dos seus principais filósofos, chamado Max Horkheimer. Nessa época, era muito presente o anti-comunismo nos meios acadêmicos alemães, e o antigo Instituto para a Pesquisa Social teve grande importância na explicação do contexto histórico do socialismo e movimento trabalhista da época.
Os filósofos da Escola de Frankfurt tinham como característica ser contra o pensamento marxista da época. Max Horkheimer foi um dos seus principais integrantes, nascido em Stuttgard na Alemanha, Horkheimer foi diretor do antigo Instituto para a Pesquisa Social e alguns dos seus principais ideais eram a reunificação da ética e da política e a Teoria Crítica, cujo assunto foi publicado mais tarde(1970) em um texto sobre as características de sua teoria crítica.
Outro grande filósofo da Escola de Frankfurt foi Theodor Adorno, nascido na própria Frankfurt, era um amante do meio musical e se orientou pela estética musical. Com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno se tornou diretor do Instituto para Pesquisa Social.

Na era da Indústria Cultural o indivíduo é coisificado e visto apenas como parte integrante de uma massa homogênea. Essa massa se torna muito mais fácil de ser manipulada, uma vez que o indivíduo acaba incorporando os conceitos da sociedade como sendo seus, e levando-os adiante em suas atitudes pessoais. Mesmo no lazer, quando o indivíduo imagina que está livre das interferências do sistema, ele sobre influências despercebidas, e passa a aderir impulsivamente às questões, perdendo o senso crítico.

As informações transmitidas pela sociedade são criadas de forma que o indivíduo reaja de forma prevista, sem que ele possa sair do esquema programado. Até o que ele vai sentir é condicionado pelo sistema. O indivíduo torna-se observador da sociedade e adere a tudo que lhe é imposto de forma osmótica. Ele absorve as ordens, indicações e proibições, não tendo reações a qualquer atitude, já que sua resistência psicológica foi quebrada através da exibição massiva aos produtos da Indústria Cultural e suas formas de consumo.

Cena da novela “Laços de Familia” exibida em 2000 onde a personagem principal, Camila, resolve raspar a cabeça devido a leucemia. A música, e até mesmo o foco dado pela câmera, induz o telespectador a se compadecer com a personagem, levando-os a chorar em muitos casos.